Projeto de Lei 92 de 2018: papelcartão vai substituir o plástico

O Projeto de Lei do Senado 92 de 2018 está sendo analisado pelos senadores. Ele prevê o fim, gradual, do uso do plástico na produção de pratos, copos, bandejas e talheres descartáveis. O objetivo é que em 10 anos o plástico seja totalmente substituído por materiais biodegradáveis, como o papelcartão. A meta é apoiada pela ONU, que tem um objetivo global, que pede a limpeza dos oceanos e a criação de políticas públicas para a redução do uso do plástico.




10/05/2018 - A taxa de crescimento do PIB, que passou de uma alta de 7,5% em 2010 para uma baixa de -3,8% em 2015, começou a reverter o declínio em 2017, entrando em território positivo no final do ano (Figura 1 – detalhe). Durante o mesmo período, o mercado de tissue teve um crescimento de 4,5% CAGR (taxa de crescimento anual acumulada). Projeções para os próximos três anos sugerem que o crescimento geral do PIB do Brasil está se estabilizando na faixa de 0,5%, enquanto espera-se que tissue continue com sua taxa de crescimento de cerca de 4,5% (Figura 1).


Brasil é o maior produtor de tissue na América Latina com uma quota de mercado de 38%, seguido pelo México com quota de 26% (Figura 2). A posição do Brasil na América Latina sem o México (devido à proximidade com o restante do mercado) salta para 48%, com a Argentina sendo o segundo maior produtor com apenas 11% do mercado. Considerando-se a proximidade de abundante fibras e excelente geografia de distribuição, o Brasil continuará a ser o líder do mercado por bastante tempo.


Existem vários produtores de tissue ativos no mercado latino-americano. A Kimberly-Clark detém a maior parte da capacidade de produção com uma participação de 24%, seguida pela CMPC com 15% (Figura 3). No Brasil, o mercado é distribuído ainda mais, com a Mili sendo o maior produtor de tissue com apenas 13%. A Suzano e a CMPC seguem a Mili com 10% e 9% respectivamente, enquanto a Kimberly-Clark possui uma participação de 7% junto com três outros produtores (Figura 4). Das 37 empresas produtoras que compõem o mercado brasileiro de tissue atual, 30 produzem menos de 5% da capacidade, demonstrando um mercado bastante fragmentado.


O Brasil tem uma posição de custo relativamente alta na América Latina. Sendo um país fortemente investido em fibra virgem parece ser o fator-chave por trás dessa posição de custo. A disponibilidade e a integração com as plantações de eucalipto fornecem excelente fibra para fabricação de produtos tissue, mas também trazem uma desvantagem de custo sobre as fábricas de tissue que usam fibra reciclada. O México, por exemplo, possui uma vantagem de custo significativa com relação ao Brasil, impulsionada pelo uso consideravelmente maior de fibras recicladas (Figura 5). A Colômbia versus o Chile é uma outra comparação de países com capacidades semelhantes, mostrando que realmente há uma diferença clara no custo impulsionado pelo uso de fibra reciclada com relação à fibra virgem.


Geograficamente, as fábricas de tissue no Brasil estão concentradas na parte sudeste do país, sendo esta a área com maior densidade populacional e proximidade com o litoral (Figura 6). Existem algumas fábricas de tissue mais ao norte ao longo do Atlântico e um número ainda menor no interior. Essas fábricas do interior estão intimamente ligadas a grandes rios, uma vantagem em termos de processo e uma necessidade pela perspectiva de infraestrutura.


A fonte de dados e análises neste artigo é a FisherSolve™.

Por Bill Burns, Consultor da Fisher Internacional


Fonte: Tissue Online