Produção industrial tem 3ª queda seguida e pior resultado para setembro em 3 anos

Recuo de 1,8% na comparação com agosto foi pressionado pela queda na produção de bens de consumo duráveis e de automóveis. Resultado mostra perda de ritmo do setor. A produção industrial brasileira caiu 1,8% em setembro frente ao mês anterior, segundo divulgou nesta quinta-feira (1) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pressionada pela queda de bens de consumo duráveis e pela menor produção de automóveis.




Por Daniel Silveira e Darlan Alvarenga, G1


01/11/2018 - A produção industrial brasileira caiu 1,8% em setembro frente ao mês anterior, segundo divulgou nesta quinta-feira (1) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pressionada pela queda de bens de consumo duráveis e pela menor produção de automóveis.

Trata-se da terceira queda mensal seguida do setor. De acordo com André Macedo, gerente da pesquisa, foi também a queda mais acentuada para um mês de setembro, na comparação com o mês imediatamente anterior, desde 2015, quando foi de 2,2%.


Produção industrial mensal
Comparação com o mês imediatamente anterior, em %



Na comparação com setembro do ano passado, a indústria caiu 2%, primeiro resultado negativo nesta base comparação, após três altas consecutivas.


O resultado veio pior do que o esperado. As expectativas em pesquisa da Reuters com economistas eram de queda de 0,8% na variação mensal e de 0,4% na base anual.


Apesar da 3ª queda consecutiva, a indústria registrou avanço de 2,7% no 3º trimestre, na comparação com o trimestre anterior. Segundo o IBGE, esta alta compensou o recuo de 2,7% do 2º trimestre, que foi impulsionada pelas perdas significativas do mês de maio, quando a produção industrial caiu 10,9% em função dos efeitos da greve dos caminhoneiros. Já na comparação com o 3º trimestre do ano passado, houve alta de 1,2%.


Perda de ritmo no ano

No acumulado no ano e em 12 meses, a produção continua registrando alta, de 1,9% e de 2,7% respectivamente. Entretanto, houve perda de ritmo frente aos meses anteriores. Em julho, a taxa acumulada em 12 meses era de 3,3%, e em agosto, de 3,1%.


"Fica muito clara uma perda de ritmo dessa produção. Desde 2015 a gente não via três meses seguidos de queda na margem", destacou André Macedo.


O IBGE revisou os dados da indústria dos últimos meses. Em agosto, a queda foi de 0,7%, ao invés do recuo de 0,3% anunciada anteriormente. Já o resultado de julho foi revisado para uma queda de 0,2%, ante recuo de 0,1% estimado inicialmente.


Produção industrial em 12 meses
Variação acumulada em 1 ano, em %



16 dos 26 ramos industriais recuam

Dos 26 ramos de atividade, 16 recuaram em setembro. Segundo Macedo, o principal impacto negativo partiu do segmento de veículos automotores, reboques e carrocerias (-5,1%), seguido de máquinas e equipamentos (-10,3%) e bebidas (-9,6%). “São resultados muito próximos em termos de influência”, ponderou.


De acordo com Macedo, foi verificado um grande número de fábricas de automóveis com paralisações ou férias coletivas no mês de setembro, em função da queda nas exportações “dado que a gente perde um canal importante de exportação por causa da crise na Argentina”.


Do outro lado, o destaque de alta de produção foi metalurgia, que avançou 5,4%.


Entre as grandes categorias, a queda mais acentuada na comparação com agosto foi em bens de consumo duráveis (-5,5%), influenciada, em grande parte, pela menor produção de automóveis. Também houve recuo na produção de bens de capital (-1,3%), bens intermediários (-1,0%) e bens de consumo semi e não-duráveis (-0,7%).


Recuperação lenta

Com o desemprego elevado e baixo nívek de investimento e consumo, o Brasil vem mostrando dificuldades em engrenar um ritmo forte de crescimento.


No segundo trimestre, a indústria registrou contração de 0,6%, contribuindo para que o Produto Interno Bruto (PIB) do país registrasse crescimento de apenas 0,2% sobre os três meses anteriores.


Segundo a última pesquisa Focus do Banco Central, a expectativa do mercado é que a economia cresça 1,36% em 2018, menos da metade do que era esperado do começo do ano.


Fonte: G1