IGP-M deve voltar a subir em 2018 e ficar mais alinhado a IPC, diz FGV

O IGP-M não deve repetir em 2018 a taxa negativa de 2017, segundo o economista da FGV André Braz. Este ano, o indicador caiu 0,52%, a segunda deflação anual da história do IGP-M, mas sem superar a queda de 1,72% de 2009. "No ano que. vem, a agricultura não deve ser tão favorável aos preços como neste ano, as commodities devem avançar. Além disso, o cenário eleitoral pode afetar a taxa de câmbio. Este ano, o indicador caiu 0,52%, a segunda deflação anual da história do IGP-M.




28/12/2017 - O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) não deve repetir em 2018 a taxa negativa de 2017, segundo o economista da Fundação Getulio Vargas (FGV) André Braz. Este ano, o indicador caiu 0,52%, a segunda deflação anual da história do IGP-M, mas sem superar a queda de 1,72% de 2009.


"No ano que vem, a agricultura não deve ser tão favorável aos preços como neste ano, as commodities devem avançar. Além disso, o cenário eleitoral pode afetar a taxa de câmbio, que é o principal risco para 2018", avalia Braz. Ele lembra que, devido à coleta de preços no atacado, o movimento cambial tem efeito direto no IGP-M.


Braz evitou fazer estimativas para 2018 devido, segundo ele, à intensa volatilidade do indicador. Mas ele arrisca dizer que o IGP-M deve ficar mais alinhado ao Índice de Preços ao Consumidor (IPC), para qual ele projeta 4,2% no ano que vem. "O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) deve carregar totalmente o impacto de alta de alimentação, assim como o IPC", avalia.


Os monitorados também devem elevar o IGP-M no ano que vem, completa Braz. Além da eventual pressão do câmbio, o economista cita também as dúvidas quanto ao cenário hídrico e suas consequências para o preço da energia e quanto aos preços de combustíveis.


Em 2017, Braz afirma que os combustíveis foram os maiores "vilões" do IPA e, por sua vez, tiveram maior influência de alta no IGP-M, já que o atacado responde por 60% do índice. A maior contribuição individual de alta foi de óleo diesel (9,55%), seguida por óleos combustíveis (26,65%) e gás liquefeito de petróleo (GLP) (46,09%).


Já as maiores influências de baixa foram milho (-24,83%), soja (-8,86%) e minério de ferro (-8,85%). O IPA acumulou queda de 2,55% em 2017.


JANEIRO

O ano de 2018 já começa com leve pressão dos preços administrados, com o aumento de 5,26% anunciado das tarifas de ônibus, trem e metrô em São Paulo. Na capital paulista, Braz avalia que o impacto no IPC de janeiro será de 0,15 ponto porcentual, já no País o impacto deve ser de 0,05 ponto, acrescenta ele. "Esse já era um efeito esperado, sabemos que os monitorados ano que vem vão ter um impacto grande no IPCA. O aumento deste ano diesel engrossa planilha de custos", diz.


Braz diz que, neste ano, no IPC-M a tarifa de ônibus urbano subiu 1,91%, depois de aumento de 10,03% em 2016. Em 2018, Braz calcula que teremos aumento maior, uma vez que o reajuste de São Paulo ficou represado em 2017 e, no Rio de Janeiro, houve queda de tarifas.


Para o IGP-M em janeiro, a expectativa do economista da FGV é de alívio, uma vez que um dos maiores responsáveis pela alta de 0,89% em dezembro, depois de 0,52% em novembro, foi o minério de ferro (-9,41% para 9,48%), que, de acordo com Braz, deve desacelerar no mês que vem. "O minério de ferro não deve ser tão forte como em dezembro. A trajetória desse preço é volátil e impõe certa volatilidade ao índice também."


Em 12 meses, Braz projeta que o IGP-M também deve continuar negativo em janeiro, uma vez que a taxa mensal deve, no máximo, se igualar à variação do mesmo mês de 2017 (0,64%). Mas, ao longo do primeiro trimestre, o indicador deve voltar ao campo positivo, diz ele.


Fonte: jornal Estado de Minas