Eu não quero um mundo sem plástico

Eu não propugno um mundo sem plástico. Propugno um mundo consciente e respeitoso para com o uso e descarte dos produtos e artefatos fabricados com matéria plástica. Dentre os vários substratos e materiais primários utilizados como matéria prima para fabricação de produtos e embalagens, o plástico se sobressai. Leia artigo de autoria de Antônio Eduardo Baggio - presidente do SINPAPEL.




* Antônio Eduardo Baggio

11/07/2019 - Eu não propugno um mundo sem plástico. Propugno um mundo consciente e respeitoso para com o uso e descarte dos produtos e artefatos fabricados com matéria plástica.


Dentre os vários substratos e materiais primários utilizados como matéria prima para fabricação de produtos e embalagens, o plástico se sobressai por sua versatilidade, aplicabilidade e por seu custo competitivo.


Características como maior leveza, moldabilidade, impermeabilidade e resistência fizeram das sete famílias de plásticos os materiais ideais para serem empregados em substituição a madeira, vidro, aço, papel e alumínio, com vantagens incomensuráveis em termos de custo, pois permitiram produções mais rápidas e seriadas. E isso trouxe para a sociedade de consumo vantagens enormes pois incorporou ao consumo várias classes sociais mundo afora.


Ocorre que o plástico por ser este material barato, se tornou ordinário, descartável. As suas vantagens se voltaram contra ele, pois sendo barato, tornou-se descartável em qualquer medida e aplicação. E por não ser biodegradável, tornou-se poluente.


O erro não é usarmos plástico. O erro é descartarmos o plástico da forma como a sociedade de consumo vem fazendo há décadas, sem cuidar da sua coleta e reciclagem, embora saibamos do tempo exagerado que ele leva para sua completa biodegradação e as grandes possibilidades de fragmentos contaminarem toda a cadeia de vida da terra. Na terra e nas águas.


Estados e países que investem em Coleta Seletiva e Usinas de Triagem e Reciclagem, não se importam com o uso do plástico, pois ao fim e ao cabo ele será coletado e reciclado junto com outros materiais, inertes como o vidro, oxirreduzíveis como o aço e o alumínio e biodegradáveis como a madeira, as fibras vegetais, o papel e o papelão. E todos se transformam em matérias primas recicladas para um novo ciclo de produção.


Claro que se houvesse a possibilidade e a praticidade de se usar somente substratos e materiais primários com características de biodegradabilidade, reciclabilidade, que fossem compostáveis e de origem renovável, a exemplo dos materiais de origem celulósica, o mundo sorriria alegre e contente. Só que os materiais com todos esses atributos ainda não foram inventados. Existem extensas pesquisas atrás deste Santo Graal, mas sem previsão de sucesso.


Enquanto isso não acontece, cabe a todos os atores da cena da sociedade de consumo, contribuírem para mitigar com força – dada a premência – o descarte incorreto dos objetos fabricados com as resinas plásticas.


Por que os grandes utilizadores da face mais visível e risível dos plásticos, que são as embalagens, estão sempre a apoiar a edição de leis como esta agora, burra, idiota que concede ao consumidor duas sacolinhas por compra e cobra pelas restantes?


Por que a eles não interessam fundamentalmente resolver ou mitigar a questão, posam de ambientalistas para efeitos de marketing, mas no fundo o que querem é se livrar dos custos das sacolinhas e se possível fazer um bom negócio vendendo outras de plástico ou ráfia de plástico (muito menos degradáveis) a um preço com grande margem de lucro. Fazendo a todos os consumidores de idiotas, vítimas do discurso ambientalista.


A solução existe há décadas. Sacos de papel. Possuem os 4 atributos fundamentais de um material ambientalmente correto. Era o material usado na maioria das embalagens e para embalar as compras nas lojas e supermercados, com eficiência e de modo ecológico. O Papel tem sua origem na celulose extraída das florestas plantadas pelo homem por isso são de origem Renovável. Abate-se uma árvore e planta-se uma no seu lugar. Como colheita de banana. Os sacos de papéis são biodegradáveis pois se dispersos no meio ambiente degradam naturalmente com o tempo, podendo ser absorvido por microrganismos pois não possuem toxidade alguma. São Recicláveis infinitas vezes, quando coletados, pois tem peso e valor, que viabilizam a coleta e reciclagem fazendo com que as embalagens celulósicas sejam hoje fabricadas majoritariamente com celulose de origem reciclada e sejam recicladas após uso, no percentual de 78% do total colocado no mercado, além de serem compostáveis pois podem ser misturadas com lixo orgânico para a fabricação de húmus.


Além disto são resistentes e possuem 70% a mais de capacidade volumétrica comparativamente a uma sacolinha plástica ordinária.


Estudos efetuados em supermercado em São Paulo, comprovou que numa compra média o consumidor leva 16,8 sacolinhas plásticas contra 5 sacos de papel kraft.


Menos é mais!

Aguarda-se o despertar de uma nova consciência tanto por parte dos consumidores quanto dos fabricantes e comerciantes, para a utilização racional do único substrato que reúne os 4 atributos ambientais fundamentais, por isso alardeamos que o papel será o substrato do futuro, num mundo que se equilibrará entre o consumo desabrido e a consciência ambiental.


* Antônio Eduardo Baggio

Presidente

Sindicato das Indústrias de Celulose, Papel e Papelão no Estado de Minas Gerais


Veja vídeo sobre o assunto:
 

Fonte: SINPAPEL